365 Chances para Amar.
#Day 46
“Não há muito nessa vida que me faça verdadeiramente
tremer de medo, que me leve até um ponto de angústia
tão extenuante que empurre minha mente e coração
a um ponto difícil de propiciar uma rota de fuga….
Mas… Sabe, às vezes, o Destino parece sentir prazer
em ferir e sangrar corações que nada querem além
do puro prazer de amar verdadeiramente…
E quando decide agir, é implacável, sagaz e sucinto.
Hoje, contra a minha vontade, ele agiu contra mim,
e fez abrir uma ferida que eu jurava honestamente
já ter superado há muito tempo…. Mas não, ele me
mostrou que eu ainda sinto medo demais, insegurança
demais, receio demais…. Que minha mente, por mais
forte que seja, ainda pode me desligar por um ou dois
segundos, pintando quadros que eu não quero ver,
criando sons que não quero ouvir, projetando cenas
que me dilacerarão ao menor dos deslizes….
E eu falhei, admito, por breves segundos, eu dei a ele,
o poder de cutucar uma cicatriz que há muito não
dava o ar da graça, e o resultado rompeu de mim,
alto, forte, sufocante e salgado.
As pernas tremeram, o coração fugiu do compasso,
errando o ritmo no qual sempre cantarolou tão bem;
as mãos trêmulas apertaram o lado esquerdo do peito,
sentindo na carne, uma dor que deveria estar apenas
dentro da mente, mas não estava.
E foi aí que eu me dei conta.. Duramente.
Por alguns instantes, eu te perdi…. Você saiu do meu
campo de visão, tua mão largou a minha e eu senti
frio, como nunca havia sentido antes….
E então minha respiração falhou, minha voz se
estrangulou na garganta, enquanto o sangue nas
minhas veias passou a arder, como se fosse ácido….
Te perdi de vista, numa linha reta de um horizonte
branco, sem fim…. Eu te perdi, e perdi parte de mim
no meio do caminho.
O teu calor me abandonou lentamente, e eu tremi,
como se eu fosse uma estalactite tendo de enfrentar
o mais aquecido verão no polo; tudo foi desmoronando
devagarinho, como se os rostos borrados em meio
as lágrimas fossem um refrão irritante, de uma
música péssima, mas que gruda na memória
feito praga na plantação….
E mesmo que esse momento não tenha durado
mais que alguns poucos segundos, foi o suficiente
para por a baixo todas as minhas defesas, quebrar
cada um dos meus planos miraculosos e puros de
tanto amor….
Naquele silêncio ardiloso, eu me vi desmoronando
devagarinho, de pouquinho em pouquinho, assistindo
meus medos ganharem espaço, nublarem meus
pensamentos e quase me fazerem esquecer o que
realmente tinha força e poder.
E quando tudo passou, quando a água baixou, os
destroços vieram a superfície, e por instantes, eu
não soube lidar com o tanto de entulho que um
simples conjunto de palavras foi capaz de revolver
no meu interior. Com a pressão de volta ao normal,
senti vergonha por mesmo que em alguns segundos,
deixar que o lado obscuro do Destino tivesse tamanha
influência em mim, mas eu sou apenas um ser humano;
às vezes, eu falho em ser forte, falho em acreditar, falho
em ter esperanças, falho em simplesmente saber esperar…
Mas no passo seguinte a queda, eu me levanto, buscando
no céu acima, a luz que por frações de tempo se
escureceu no meio íntimo, e quando ela surge, eu volto a
segurá-la, com força, com fé, com esperança…
E eu vou seguindo em frente, recomeçando minha
contagem de ‘Dias que Superei sem Duvidar desse Amor’,
voltando não ao zero, mas ao nós, o mais belo ponto
de partida que eu poderia enxergar…
No entanto, ainda que eu esteja de volta à nossa trilha
rumo a Lua, o que eu vi não se apagou de mim, o que
eu li ainda pode ser encontrado no reflexo dos meus olhos,
o que eu senti, esse vazio tão profundamente preenchido de
incerteza ainda está aqui, ainda que eu lute contra ele….
Nada se foi, como eu gostaria. Tudo ainda está aqui,
mas você não está…. Não está, e isso torna tudo pior.
Eu não sei exatamente onde você está agora, e não sei
se tenho mais medo de descobrir ou não. Ainda assim,
tudo o que eu mais queria nessa exata parcela de tempo,
é que você me abraçasse forte, e que não houvesse espaço
para qualquer outra coisa aqui, que não fosse esse amor….
Então, por favor, se você puder, apena…. Vem me devolver
a harmonia primordial dos astros..
Me faz sentir de novo, que eu tô segura nos teus braços,
que tuas mãos não vão soltar as minhas, e que mesmo que
eles tentem, a gente não vai desistir… Da gente..”
ydc, February 15th of 2021, 23:58hs.
Perdão !… 😥
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